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Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

Diário Medicina Preventiva

Uma intensa viagem pelo dia-a-dia de uma estudante de Medicina e, além disso, algumas indicações sobre a importância da prevenção para preservarmos a nossa saúde.

06.Jan.08

EPILEPSIA

 

A epilepsia é uma doença neurológica crónica, geralmente de carácter progressivo, caracterizando-se por repetidas crises convulsivas e que afecta cerca de 1% da população mundial. É considerada a doença neurológica mais frequente. Estima-se que atinja cerca de 50 mil pessoas no nosso país.

Os primeiros relatos aparecem no Antigo Egipto. Uma das figuras mais conhecidas portadoras desta doença foi Júlio César... Na época, era vista como a "doença maldita", causada por forças demoníacas. Na verdade, o termo "epilepsia" significa etimologicamente "estar possuído".

Uma crise convulsiva corresponde a uma descarga eléctrica cerebral desorganizada e excessiva que se propaga a todos os territórios cerebrais levando a uma consequente alteração de toda a  actividade do cérebro. Entre as manifestações mais evidentes estão as alterações comportamentais com discursos ilógicos, movimentos estranhos e descontrolados dos membros (flexão e extensão), contracção tónica dos músculos; olhar perdido, alterações sensoriais, perda de consciência ou do controlo dos esfíncteres... A sintomatologia depende sempre da área cortical afectada. Por vezes, os sintomas são mais leves e inespecíficos: dormência corporal, indisposição gástrica, sonolência, ...

Várias são as causas da epilepsia: neurónios danificados e consequente alteração da sua função; tumores; traumatismos crânio-encefálicos; cicatrizes resultantes de infecções das meninges (meningites) ou do encéfalo (encefalites); doenças isquémicas ou hemorrágicas (AVC); doenças metabólicas (renais e hepáticas); doenças genéticas; anóxia cerebral (privação de oxigénio); etc...

 

As crises são, geralmente, desencadeadas por estímulos visuais, auditivos, ... Nas crianças é costume surgirem aquando de estados febris que não são, necessariamente, sinónimo de epilepsia. Para isso é necessário que estes episódios se verifiquem pelo menos 2 vezes num período de 12 meses, na ausência de febre, ingestão de álcool, intoxicação por drogas, etc...

Após as crises, os doentes apresentam frequentemente cefaleias, sensibilidade acrescida à luz, confusão mental e ferimentos orais (língua e muscosa oral).

O diagnóstico, predominantemente clínico, é feito por um especialista de Neurologia, através da realização de um exame neurológico. Entre os métodos complementares de diagnóstico incluem-se o EEG (electroencefalograma) e as técnicas de imagiologia - TC (tomografia computorizada) e ressonância magnética. O EEG é particularmente útil para constatar a evolução da doença e o as técnicas imagiológicas para perceber as causas (infecções, tumores, ...).

 

 

O tratamento é a administração de fármacos que controlam a actividade neuronal  e diminuem as descargas cerebrais anormais. 70 a 80% dos pacientes obtém sucesso com qualquer um dos medicamentos anti-epilécticos de primeira linha do mercado. Alguns doentes têm de ser tratados em regilme de politerapia, combinando vários fármacos. A cirurgia pode ser por vezes a única opção e tem por base a eliminação de parte da lesão ou das conexões cerebrais responsáveis pelas descargas.

 

 

E é aqui que o novo ano traz boas notícias para Portugal. Pela primeira vez, um medicamento português será comercializado nos Estados Unidos e Canadá. O medicamento da farmacêutica Bial é justamente um anti-epiléctico que parece evidenciar grandes vantagens relativamente a outros medicamentos comercializados no mercado. Além de ser necessária apenas uma toma diária do fármaco BIA 2-093 (ao contrário de outros anti-epilécticos), ao tomarem o medicamento os pacientes não apresentam alguns efeitos secundários indesejáveis (frequentes com outros fármacos).

O medicamento foi testado em três ensaios clínicos humanos, envolvendo mais de mil pacientes em 22 países e mostrou ser seguro e eficiente no controlo dos ataques epilécticos.

O acordo poderá rondar os cerca de 175 milhões de euros para a farmacêutica portuguesa e evidencia uma inovação nesta área. Posteriormente, é possível que o fármaco venha a ser comercializado noutros países europeus.

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